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SEMINÁRIO DISCUTE PRODUÇÃO DE CINEMA INDÍGENA

25.9.2016
SEMINÁRIO DISCUTE PRODUÇÃO DE CINEMA INDÍGENA

O Seminário Produção Audiovisual, Identidade e Diversidade – Um olhar dos Realizadores Afrobrasileiros e Indígenas sobre o Cenário Brasileiro Audiovisual contou com a presença de realizadores indígenas de diversas etnias do país.

O debate foi mediado pela jornalista e apresentadora da rádio Yandê (a primeira webrádio indígena do Brasil), Daiara Tukano, que esclareceu a magnitude da diferença dentro das diversas nações indígenas. “Nós somos mais de 300 etnias indígenas e falamos cerca de 180 línguas dentro do Brasil. Nosso desafio é fazer com que os não-índios entendam essa diversidade”, explicou Daiara.

A cineasta e produtora, Graciela Guarany, enxerga no cinema a possibilidade de registrar e refletir sobre as questões indígenas contemporâneas. “A sociedade brasileira nos enxerga de maneira muito exótica. É como se os índios não fossem pessoas e sim estereótipos. O cinema pode nos ajudar a desconstruir essa imagem. O audiovisual serve como uma arte, um meio que a gente tem pra se comunicar com essa sociedade”, definiu.

A atuação de 30 anos da ONG Vídeo nas Aldeias, organização não-governamental que possibilita o acesso de povos indígenas aos meios de produção audiovisual, foi significativa para o aumento da produção de filmes roteirizados, filmados e atuados por índios.  Em comum, os cineastas indígenas começaram a fazer cinema movidos por uma insatisfação em relação à forma como eram representados pela sétima arte em películas feitas por diretores não-indígenas.

Foi por esse motivo que a produtora, Patrícia Guajajara realizou o curta-metragem A festa dos encantados, presente na programação paralela do 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO. “Uma cineasta não-índia fez um documentário sobre a festa e o filme faz uma interpretação completamente errônea do que essa festa tão tradicional representa para nosso povo. Decidimos, então, realizar o nosso próprio filme”, explicou.

Uma das dificuldades que os cineastas indígenas dizem enfrentar é a grande burocracia para se conquistar financiamentos por meio de editais no Brasil. Segundo eles, os meios de fomento ao cinema no país exigem que os produtores e cineastas tenham registros de difícil obtenção para os realizadores em suas aldeias tais como uma empresa produtora e registros nas receitas federais e estaduais. Para eles, é fundamental que se crie formas de financiamento mais acessíveis.

 

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