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SEMINÁRIO CONTINENTE COMPARTILHADO: COPRODUÇÕES BRASIL/ PORTUGAL

24.9.2016
SEMINÁRIO CONTINENTE COMPARTILHADO: COPRODUÇÕES BRASIL/ PORTUGAL

Brasileiros e portugueses dividem uma relação íntima de História, língua e traços culturais pós-colonização. Essas identidades se encontram no cinema em uma série de coproduções realizadas entre os dois países nos últimos anos e que foram discutidas no seminário Continente compartilhado: Coproduções Brasil/Portugal, realizado na tarde de quinta-feira no Kubitschek Plaza Hotel, dentro da programação 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO.

A mesa formada por realizadores e produtores dos dois países - e mediada pela professora, cineasta e pesquisadora Tânia Montoro - girou em tornos das dificuldades em se produzir um filme em parceria.

A cineasta mineira Marília Rocha se interessou pela história de duas mulheres portuguesas que passaram a viver em Belo Horizonte depois da crise econômica em Portugal. Naturalmente, o tema do filme pedia uma coprodução, acredita a produtora do longa-metragem que participa da Mostra Competitiva do Festival, Luana Melgaço: “Era um tema que conectava os dois países de maneira genuína”.

Para viabilizar a parceria entre países, os mineiros do coletivo Teia encontram na produtora portuguesa A Terra Treme o seu correspondente em Portugal. A parceria entre ambos se realizou na fita intimista que concorre ao troféu Candango de melhor Longa-metragem desta edição, A cidade onde envelheço. “Seguimos um processo. Não era uma coprodução feita apenas pelo aspecto financeiro. Criativamente, foi muito próxima desde o início. O filme conta o período de vida de duas portuguesas em Belo Horizonte. Foi rica para toda a gente”, acredita o produtor português João Matos.

Vivendo há 10 anos no Brasil, o realizador e cineasta José Barahona, escreveu e dirigiu um filme que trata de um imigrante brasileiro que decide viver em Portugal. Estive em Lisboa e lembrei de você será exibido na mostra paralela do festival em sessão exclusiva. “Eu fui embora de Portugal quando o primeiro-ministro do país mandou que os jovens portugueses buscassem empregos em outros países que não fosse o nosso. Desde então, decidi ficar no Brasil e tentar fazer cinema aqui”, explicou.

Diante da experiência brasileira de uma década, Barahona compara os modos de financiamento feitos aqui e no velho continente. “Existe uma ideia geral no Brasil de que tudo que é feito na Europa é melhor e isso não é verdade. Existem muitos mecanismos de funcionamento no Brasil que funcionam melhor que os portugueses. Por outro lado, há uma carga burocrática no Brasil que é muito pesada. Muito pesada e muito complexa”, afirmou o cineasta e produtor.

As experiências partilhadas no encontro tiveram em comum o fato de que fazer coproduções entre os dois países lusófonos pode significar um emaranhado de procedimentos legais e financeiros que demandam um preparo e muita paciência dos produtores dos dois países. Com diferentes sotaques, a palavra dificuldade foi repetida pelos participantes em vários momentos. Atualmente, os realizadores precisam lidar com questões difíceis como envio de remessas, mudanças de câmbio e o entendimento de legislaturas dos dois países.

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