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QUINTO DEBATE DAS MOSTRAS COMPETITIVAS E O PROTAGONISMO DO ESPAÇO URBANO

25.9.2016
QUINTO DEBATE DAS MOSTRAS COMPETITIVAS E O PROTAGONISMO DO ESPAÇO URBANO

A utilização do espaço urbano como um elemento importante da história foi um ponto comum entre os dois curtas e o longa-metragem exibidos na primeira sessão da mostra competitiva do 49º FESTIVAL DE BRASILIA DO CINEMA BRASILEIRO da noite de sábado: Delírio e a Redenção dos Aflitos, de Fellipe Fernandes, Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares, e Elon Não Acredita na Morte, de Ricardo Alves Jr. Os realizadores participaram do primeiro debate da manhã de domingo, no Kubitschek Plaza Hotel, sob a intermediação do jornalista pernambucano Luiz Joaquim.

 

Delírio..., que se passa na região periférica de Olinda, onde o diretor e parte da equipe cresceram, gira em torno de uma família que é a última a abandonar um edifício condenado.  “Antes de a história aparecer, o filme surgiu da vontade de falar sobre o local, de transmitir nossa experiência com aquele espaço, das lojas de colchão e dos prédios abandonados ou invadidos”, explicou Fellipe Fernandes, ex-assistente de Paulo Caldas e Kleber Mendonça.

 

O segundo curta, Estado Itinerante, retrata o cotidiano de uma cobradora de ônibus na periferia de Belo Horizonte. A personagem é vivida por Lira Ribas, a única atriz profissional do elenco – que interage com cobradoras de verdade. A ideia, como explicou Ana Carolina, “era mostrar a violência doméstica e urbana a partir desse universo e do dia a dia da protagonista, que não tem para onde ir depois de se separar do marido agressor” – que a diretora preferiu não mostrar em seu primeiro curta. Do mesmo modo, por conta da abordagem sutil pretendida, ela optou por não filmar em interiores, o que reforça também o viés documental da proposta.

 

Ana Carolina admitiu influência dos filmes do cineasta Carlos Reichenbach, sobretudo de As Garotas do ABC, que é centrado sobre operárias em São Bernardo do Campo (SP). “Ele é uma referência forte para mim, mas preferi não rever seus filmes”, afirmou.

 

PESADELO

 

Elon Não Acredita na Morte é a história de uma busca incessante. Um vigilante procura a mulher que sumiu de repente e vai atrás do paradeiro dela em hospitais e necrotérios e acaba sendo preso depois de invadir a casa da cunhada.

 

O filme também é ambientado em Belo Horizonte e configura um clima sombrio e aflitivo. Para criar uma atmosfera de pesadelo sufocante em seu longa de estreia, o diretor Ricardo Alves Jr escolheu como locações “espaços opressores, grandes corredores, escadas em expirais”. Segundo ele, a procura do personagem-título pela mulher desaparecida misteriosamente é marcada pela ambiguidade. “É uma linha tênue, entre realidade e imaginação, pela qual o espectador pode optar entre o que acontece e o que é só imaginação”, destacou. “E o ambiente em que o personagem transita é um elemento a mais para a criação do clima de pesadelo” – acrescentou, lembrando ainda o papel importante da câmera, que insistentemente segue o personagem.

 

O ator Rômulo Braga, brasiliense radicado em Belo Horizonte, falou sobre o processo da criação de Solon. De acordo com ele, o objetivo era estar sempre a serviço da concepção do filme e da história. “Fiz um trabalho intuitivo, pois eu atuava como um cavalo cego conduzido por uma ideia”.

 

Sérgio Bazi

Especial para o 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA

 

 

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