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Quarto debate de filmes das mostras competitivas evidencia o diálogo entre realidade e ficção

24.9.2016
Quarto debate de filmes das mostras competitivas evidencia o diálogo entre realidade e ficção

Tanto o curta Constelações quanto o longa-metragem A cidade onde envelheço, ambos de Minas Gerais, criam, cada um à sua maneira, um hibridismo entre ficção e documentário. Os dois filmes protagonizaram o quarto debate dedicado aos filmes que concorrem aos troféus Candango do 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO. Segundo a ser realizado na manhã de sábado, no Kubitschek Plaza Hotel, o encontro teve mediação do jornalista mineiro Marcelo Miranda.

 

Constelações é mais uma produção da Filmes de Plástico, produtora sediada em Contagem, na região metropolitana da capital mineira, que esteve presente às três últimas edições do FESTIVAL DE BRASÍLIA. Dirigido por Maurílio Martins, o filme é protagonizado por Renato Novais Oliveira, vencedor do Candango de Melhor Ator Coadjuvante, em 2014, por ‘Ela Volta na Quinta’, de André Novais Oliveira. “Eu nunca tinha pensado em ser ator, mas depois que ganhei esse prêmio quis experimentar mais e pensei: ah, vocês me deram corda, agora aguentem!”, disse o ator, arrancando aplausos da plateia.

 

Na tela está uma história pessoal, que o diretor faz questão de revelar sem meias palavras: “Eu tinha acabado de me separar, tinha acabado de voltar para o Brasil (depois de viver um casamento na Dinamarca), estava arrasado e tinha medo que aquilo tudo que eu mostro no filme acontecesse comigo. Que meu filho crescesse com um pai distante. Então, escrevi o roteiro e, no projeto, coloquei minha ex-mulher como atriz, sem perguntar pra ela se aceitaria ou não, porque ninguém podia sentir mais o que eu estava sentindo do que ela”, revelou Maurílio, referindo-se à dinamarquesa Stine Krog-Pedersen, que protagoniza o filme ao lado de Renato. Quanto à sequência em que o personagem de Renato relembra um fato ocorrido na infância, o diretor confessa: “Aquilo tudo é uma história real, aconteceu comigo mesmo. Eu morro de medo de chuva. Então, pra falar do medo do futuro, me ancorei em um medo do passado”.

 

A cidade onde envelheço, de Marília Rocha, também parte de experiências reais para a construção da narrativa. Filme que mostra o reencontro de duas amigas portuguesas que decidem imigrar para o Brasil, especificamente para Belo Horizonte, em busca de emprego – em falta em sua terra natal –, o longa foi criado a partir das conversas reais da diretora com a portuguesa Francisca Manuel, que fez sua estreia como atriz no filme. Conta a roteirista Thaís Fujinaga: “Nós fomos registrando conversas com a Francisca Manuela e surgiram temas que foram incorporados ao roteiro e situações que geraram aspectos cômicos que já estavam previstos, mas tomaram um caminho que foi criado pelas próprias atrizes”.

 

O longa é o primeiro filme de ficção de Marília Rocha, que não pôde vir ao FESTIVAL DE BRASÍLIA porque acabou de dar à luz Francisco. Diz a atriz Elizabete Francisca: “Ela vem do documentário e todo o processo do filme esteve baseado nisso. Tínhamos um roteiro, com os temas que deveríamos abordar em cada sequência e ela pedia para improvisarmos. Assim, ajudamos sim a criar as personagens, pois a improvisação abre espaço para trazermos coisas que são nossas”.

 

As duas protagonistas chamam-se Francisca. O encontro da diretora com Francisca Manuel inspirou a trama. Já Elizabete Francisca foi selecionada em teste realizado com 30 atrizes em Lisboa, depois que a diretora havia decidido trilhar pelo caminho da ficção. “Nós não nos conhecíamos mesmo. No filme, são duas amigas, ex-colegas de colégio, que se reencontram depois de terem passado 15 anos sem se ver. Isso causa estranhamento e usamos o nosso pouco contato para criar este clima”, revela Francisca Manuel. E Elizabete Francisca complementa: “Aquela foi a primeira vez que eu vim ao Brasil e a minha chegada a Belo Horizonte. A cena que mostra minha chegada à casa foi mesmo o primeiro momento em que entrei no set”.

 

Segundo informou Ana Siqueira, diretora assistente do filme, o interesse maior da diretora era documentar o encontro pessoal, particular entre as pessoas, e o olhar de um estrangeiro sobre a cidade e o país. “Ela queria ter a liberdade de trabalhar mais com a ficção, mas sempre que o roteiro começava a ter muita trama, ela reagia. Queria que houvesse sempre a observação documental, a liberdade”, explica. “Não fazíamos marcação de cena e a câmera e o som tinham que acompanhar a movimentação das atrizes, o que era bem complicado naquele apartamento pequeno que serviu de set. Mas Marília queria que elas estivessem sempre muito livres”.

 

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