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Oitavo debate das mostras competitivas discute clichês e gêneros

26.9.2016
Oitavo debate das mostras competitivas discute clichês e gêneros

“Um thriller em que a ação vem pela lateral”. Foi assim que o diretor Jimi Figueiredo definiu Malícia no debate realizado na manhã desta segunda-feira, no Salão Caxambu do Kubitschek Plaza Hotel. O longa-metragem, o terceiro do cineasta, é o único brasiliense na competição de longas do 49º FESTIVAL DE BRASILIA DO CINEMA BRASILEIRO. Segundo Jimi, que também é corroteirista e comontador, embora haja um personagem envolvido com propinas, esse não é o “cerne da história, assim como não se trata de um filme sobre vingança”. A intenção, como explicou, foi escapar dos estigmas que ligam Brasília à corrupção política e ao cartão postal de arquitetura moderna.

 

As locações, por exemplo, não mostram imagens tradicionais da capital federal e, de acordo com o diretor, foram escolhidas com a intenção de afirmar que estamos vendo uma metrópole comum. “A intenção foi mostrar que Brasília é também uma cidade qualquer”, afirmou. Ainda segundo o diretor, Malícia procura também relacionar opostos como o real e o virtual, o verdadeiro e o falso, além de brincar com clichês, criando falsas expectativas.

 

Jimi Figueiredo destacou a importância da personagem adolescente na trama, que é filha de pais separados, e percebe o envolvimento do padrasto vivido João Baldasserini com a ilegalidade, entre outras coisas. “Ela está saindo da inocência, questiona tudo e faz uma leitura das coisas a seu redor que os adultos não fazem”, ressaltou o diretor, que citou como referência de sua abordagem do tema da família e da paternidade o drama Pais e Filhos, do japonês Hirokazu Koreeda. Suas vivências como pai de adolescentes foram incorporadas ao filme, que marca a estreia no cinema da atriz de teatro Laura Teles Figueiredo, filha do diretor. “Ela surpreendeu por sua capacidade de improvisação e do entendimento dos personagens”, elogiou a veterana Viviane Pasmanter, que interpreta a mãe da adolescente.

 

BODAS E DEMÔNIA

 

Bodas de Papel é uma provocação que inverte clichês de gênero para focalizar o mundo de desejos ocultos de um jovem casal - interpretados por Keyci Martins e Breno Nina, que também assinam a direção. O curta maranhense encena um ato sexual em que o homem é que se deixa agredir pela mulher, que o sodomiza com violência – enquanto ele se encarrega de encarnar o papel de submisso. A ideia, segundo o diretor e protagonista, foi lançar luz sobre as discussões sobre a dualidade dos papeis sexuais, do casamento, do desejo e repressão. “Os desejos mais velados podem ser também os mais comuns. Os dogmas e tabus existentes em torno desses assuntos mostram que a sociedade não acompanha a dualidade humana”, destacou Breno Nina.

               

Demônia – Melodrama em Três Atos foi o curta-metragem mais bem-recebido pelo público da mostra competitiva – e o que mais arrancou gargalhadas da plateia. De acordo com o codiretor Cainan Beladez (ao lado de Fernanda Chicolet), é uma obra propositadamente tosca. Tanto que serviram de inspiração para o filme tanto a obra do alemão Rainer Fassbinder (considerado um dos renovadores do melodrama), quanto os programas de jornalismo policial – além de “bobagens da internet”.

             

Cada um dos três atos anunciados no título tem estilos diferentes. A partir da história de um incomum triângulo amoroso, onde o marido trai a mulher com outro homem, começa “brincando de melodrama”. No segundo ato, o caso passa a ser explorado por um desses programas baseados no sensacionalismo. Mas o melhor vem com o terceiro ato, no qual a história viraliza nas redes sociais, e recursos próprios da memes são utilizados de forma sempre criativa. Há ainda um divertido epílogo, que mostra como o caso mudou a vida dos envolvidos.

 

Sérgio Bazi

Especial para o 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA

 

 

 

      

 

 

                       

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