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Debate sobre os filmes da noite de abertura

22.9.2016
Debate sobre os filmes da noite de abertura


A primeira rodada de debates do 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO focalizou os dois documentários que abriram o evento na noite de terça-feira (20). Tanto o curta Improvável Encontro, de Lauro Escorel, quanto o longa Cinema Novo, de Eryk Rocha, recorrem a imagens e sons de arquivo, mas sem intenções didáticas e com um olhar notadamente poético. Além disso, as duas obras destacam trabalhos artísticos seminais para a cultura brasileira do século 20.

 

No debate realizado na quarta-feira (21), ambos os diretores reconheceram o diálogo estabelecido entre seus filmes. Improvável Encontro mostra a troca de admirações e influências que marcou o relacionamento entre José Medeiros e Thomaz Farkas – que ajudaram a consolidar a moderna fotografia brasileira nos anos 40 e 50 do século passado. “É mais um filme sobre uma grande amizade do que sobre fotografia”, afirmou Escorel.

 

Segundo o realizador, a experiência representou para ele “um filme de descobertas”. Afinal, conhecia mais o trabalho cinematográfico de Farkas e Medeiros, que ficaram mais de 30 anos sem mostrar o rico passado como fotógrafos. Escorel optou por não falar na fase em que os personagens passaram a atuar na sétima arte (o primeiro como produtor e diretor de fotografia; o segundo, como fotógrafo e diretor). “Isso daria outro filme”, justificou. Para ele, o ponto forte foi ressaltar os percursos artísticos e a importância que Farkas e Medeiros tiveram um para o outro, seja em termos afetivos, seja na perspectiva estética. “Medeiros foi um professor de brasilidade para Farkas”, destacou.

 

Eryk Rocha estreou no longa-metragem com um documentário centrado na figura-mor do Cinema Novo, o pai Glauber Rocha. Catorze anos depois de A Rocha que Voa, o cineasta volta a sobrevoar o complexo terreno cinema-novista e destaca não só seus principais expoentes (Ruy Guerra, Joaquim Pedro, Leon Hirszman etc), como também os cineastas que anteciparam as preocupações sociais, políticas e artísticas do movimento – a lista inclui de Nelson Pereira dos Santos (no fim dos anos 50), a pioneiros como Mario Peixoto (Limite) e Humberto Mauro.

 

Eryk Rocha ressaltou que o Cinema Novo era marcado pela diversidade entre os autores, mas, ao mesmo tempo, havia uma grande integração estética e política entre eles. E isso, acrescentou, serviu de inspiração para a sua empreitada de abordar o movimento sem cair no didatismo ou na nostalgia. “Não é um filme sobre”, resumiu. “Eu quis tirar o movimento do pedestal, desmistificar, criar um espaço para o espectador poder interagir com essas origens e se reconectar com aqueles filmes. Acho que é uma tentativa de entender o país hoje e não só o da época do Cinema Novo”.

 

Para contrabalançar a visão poética e mítica de seu novo filme – que aliás ganhou o prêmio de melhor documentário no último Festival de Cannes –, Eryk realizou uma série documental em seis episódios para o Canal Brasil. “Um contraponto a Cinema Novo”, definiu. De acordo com o cineasta, trata-se de um trabalho complementar a Cinema Novo, em que, aí sim, a história desse grupo que mudou a história do cinema brasileiro é contada de forma com muitos depoimentos, narração e imagens de arquivo. Exatamente o oposto do longa de abertura do Festival de Brasília.

 

Sérgio Bazi, especial para o 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO

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