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Debate de Beduino – A volta do cinema autorreferente de Bressane

27.9.2016
Debate de Beduino – A volta do cinema autorreferente de Bressane

Atração hors concours do 49º FESTIVAL DE BRASILIA DO CINEMA BRASILEIRO, o 30º longa-metragem do veterano Julio Bressane foi debatido na manhã desta terça-feira, no Salão Caxambu do Kubitschek Plaza Hotel. Beduino, nas palavras do cineasta carioca, foi feito por artistas que, tanto quanto ele, são realizadores do filme.

 

“É um filme de produção, como uma herança renascentista, época em que uma pintura era obra de muitas mãos que trabalhavam na tela”, comparou. “Todos constroem o Beduino, todos são criadores e eles (os atores), na verdade, são agentes da imagem. Eu aprendo com eles. É como se fosse um filme de ateliê”, acrescentou.

 

Mais vez, Bressane usa como ponto de partida um casal, vivido por Alessandra Negrini e Fernando Eiras, nomes constantes no elenco do diretor. Fiel a um estilo peculiar, marcado por referências iconográficas, literárias e também a filmes clássicos, na contramão das convenções do cinema narrativo, novamente oferece uma obra autorreferente. Assim, como de hábito diante de uma obra bressaniana, é melhor deixar de lado qualquer tentativa de reduzi-la ao entrecho.

 

O começo lembra, entre outros, a abertura de Brás Cubas, mostrando os bastidores da produção, e o desfecho remete a O Anjo Nasceu, com um longo plano de uma estrada vazia. ”Só tenho que ter cuidado para evitar o excesso de influências”, confessa o diretor – para quem o estilo é engendrado pela patologia do autor. Além disso, há trechos de dois filmes que Bressane realizou em 1971: A Fada do Oriente e Memórias de um Estrangulador de Louras.

 

Bressane diz que ele se adapta facilmente ao trabalho de seus colaboradores e que nunca dirige os atores (“eu apenas oriento”). Alessandra Negrini não concorda. “Beduino é resultado de três meses de trabalhos intensos. Trabalhar com Bressane é como mergulhar numa caverna com uma lanterninha”, afirmou. “O trabalho dele nos contamina”, acrescenta Fernando Eiras. No set, ambos tiveram liberdade total para criar cada cena. “Mas o trabalho de improviso é uma coisa que exige muita elaboração”, destaca o cineasta.

 

Pela primeira vez, Bressane participa em mostra paralela do Festival de Brasília. Um dos mais premiados do evento, ele ganhou quatro vezes o Candango de melhor filme (Tabu, Filme de Amor, Cleópatra, Miramar). Dias de Nietszche em Turim e São Jerônimo também saíram daqui com prêmios importantes.

 

Sérgio Bazi

Especial para o 49º Festival de Brasília

 

 

 

 

 

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