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DEBATE DE 'A DESTRUIÇÃO DE BERNARDET'

23.9.2016
DEBATE DE 'A DESTRUIÇÃO DE BERNARDET'

Tributo ao centenário do criador do evento em 1965, a Medalha Paulo Emílio Salles é uma das novidades do 49º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO. Ela será concedida, pela primeira vez, a Jean-Claude Bernardet — uma espécie de discípulo de Paulo Emílio. Crítico, professor, ensaísta, roteirista, romancista, Jean-Claude passou a exercer a outrora esporádica atividade de ator com mais intensidade nos últimos anos, em filmes como Periscópio e Pingo d´água – exibidos no Festival de Brasília no ano passado e retrasado.

 

Desta vez, ao completar 80 anos, ele encarna o próprio personagem em A Destruição de Bernardet, de Pedro Marques e Claudia Priscilla, atração paralela do evento, exibido na quinta e debatido nesta sexta-feira no Salão Caxambu do Kubitschek Plaza Hotel.

 

Se a rigor o filme não pode ser definido nem como documentário nem como ficção, os realizadores recorrem a recursos dos dois gêneros para compor um ensaio sobre o crepúsculo da vida. A ideia inicial e de toda a equipe, como explicou a diretora, foi passar longe do documentário biográfico laudatório e buscar uma linguagem renovadora. Há detalhes da vida retratada, como a expulsão da UnB, a prisão pela ditadura militar (“O DOPS não é um bom ficcionista”, diz depois de ler sua ficha no Departamento de Ordem Política Social) e a contaminação com o HIV (que para ele representou uma libertação). Mas é na reinvenção dos gêneros artísticos que A Destruição de Bernardet busca sustentação e originalidade.

 

Segundo Pedro Marques, o próprio Bernardet queria desconstruir sua imagem de intelectual inatingível e expressar o desejo de se reinventar na velhice. “Gostaria que o filme se afastasse de mim, no sentido de que seja visto não como um filme sobre o Bernardet, mas uma obra sobre o envelhecimento, a doença, a longevidade e a proximidade com a morte”, afirmou o próprio homenageado. Para ele, mostrar essa fase da vida com leveza e ironia serve como estímulo para os idosos.

 

Claudia Priscilla definiu o filme como “obra coletiva”, já que toda a equipe participou das discussões e do processo de preparação. A diretora destacou a entrega de Bernardet e deu como um dos exemplos a elogiada cena com as borboletas. A produção mandou confeccionar alguns insetos cenográficos, de confeito, mas não ficou bom. Mesmo assim ele insistiu em manter a cena original – e comeu uma borboleta de verdade.

 

“O filme tem uma coisa paradoxal, pois se propõe a ´destruir` a imagem de Bernardet, mas é também um filme de amor: foi feito por pessoas que o amam muito”, completou a diretora.

 

Sérgio Bazi

Especial para o 49º Festival de Brasília

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